Dênis Pagani e o perfumês
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Dênis Pagani e o perfumês

por Vânia Goy

Dênis Pagani, expert em perfumaria à frente do blog 1nariz, se encantou pelo universo dos perfumes primeiro por meio das palavras, um pouco antes de alcançar os cheiros propriamente ditos.

Ele tinha um pequeno ateliê de restauro e encadernação quando o livro The Emperor of Scent, de Chandler Burr, crítico de fragrâncias do The New York Times, caiu em seu colo no início de 2012 – e foi amor à primeira vista.

Não sei se vocês já tiveram a curiosidade de ler os textos de Burr, mas ele faz resenhas fascinantes. “E eu sempre gostei muito de palavras”, diz Dênis. “Vivo fazendo listas, leio muito e tinha vontade de começar a escrever.”

Ele resolveu a questão criando o blog no fim do mesmo ano e fazendo um curso básico de perfumaria. De lá para cá, devorou todas as amostras, livros e matérias-primas raras que encontrou no caminho e arrematou no EBay. No fim das contas, a perfumaria se tornou sua atividade principal.

“Criei o blog para dar conta do meu vício e exercitar as formas de apresentar uma sensação às pessoas.” Afinal de contas, ninguém nunca está preparado para a chegada de um perfume gostoso ou familiar. “O cheiro é invisível e, quando você vê, já foi arremessado para uma lembrança ou incorporou a fantasia e o prazer de um aroma, mesmo que você esteja em uma entediante fila de banco.”

Para quem ficou animado a conhecer mais desse mundo, Dênis vai comandar um curso para iniciantes na Escola Madre, em São Paulo, a partir do dia 26 de julho. Em quatro encontros ele vai apresentar matérias-primas, famílias olfativas e vocabulário básico da profissão.

E eu pedi que ele listasse as suas três fragrâncias favoritas. E amei as descrições!

Knize Ten: “criado por uma casa de alfaiataria austríaca, a fragrância é fantástica. Bem masculina, combina o aroma clássico de um couro rústico com uma saída de alcatrão, que é parte da composição do asfalto. Me lembra um cheiro de mecânica, de motor com óleo diesel.”

Chanel Cuir de Ruisse: “é a epítome do chique. Cheira um milhão de dólares. Mas não é uma fragrância versátil. É um statement floral com toque de um couro delicado, finíssimo e macio que guardo para ocasiões especiais.”

Bulgari Black: “um dos primeiros perfumes que usei na vida, sempre no inverno – já cometi o erro de sair com ele em um dia quente e úmido e me arrependi. Ele é urbano, contemporâneo. Cheira fumaça ou borracha. E como isso é bom! Sua criadora, Annick Ménardo, centra a imagem no cheiro gostoso de um pacote de elásticos novos e extrapola sua faceta cremosa acrescentando uma pitadinha de baunilha. O resultado é quente, sexy e confortável, bem longe de excessivo.”

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